O agronegócio brasileiro enfrenta uma crise mais profunda que as anteriores, impulsionada por uma transformação no modelo de crédito do setor, segundo o presidente do Instituto Brasileiro de Direito Administrativo (IBDA), Renato Buranello. A crise atual é mais longa e intensa, com a migração do financiamento oficial para o mercado privado.
Segundo Buranello, que também é vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), as crises no setor são cíclicas, mas a atual se diferencia pela duração e intensidade. Ele atribui a mudança à ampla reforma no financiamento agrícola, que reduziu a participação de linhas oficiais como o Sistema Nacional de Crédito Rural e programas do BNDES, dando espaço a instrumentos como a cédula de produto rural, títulos do agronegócio e o Fundo de Investimento das Cadeias Agroindustriais (Fiagro).
O especialista destacou que fatores macroeconômicos e geopolíticos, como o impacto nos preços de fertilizantes, agravaram o quadro. ‘Esta com maior dor’, resumiu. A combinação deixou ‘um conjunto grande de produtores rurais’ em desânimo e vulnerabilidade financeira, especialmente os pequenos e médios, que enfrentam dificuldades para se adaptar às novas dinâmicas de crédito.

