O vice-presidente de estratégia, novos negócios e transformação digital da Copel, Diogo Mac Cord, afirmou nesta quarta-feira (27) que a ausência de regras específicas para armazenamento de energia impede o avanço das usinas hidrelétricas reversíveis no Brasil.
Durante evento promovido pela Megawat, Mac Cord explicou que as usinas hidrelétricas reversíveis funcionam como uma espécie de “bateria natural”, com dois reservatórios em diferentes altitudes. Em momentos de sobra de energia, a água é bombeada para o reservatório superior; na demanda elevada, retorna gerando eletricidade. “Mesmo se a gente quiser fazer uma usina reversível, não conseguimos, pois não existem regras”, disse.
Além da regulamentação setorial, o executivo apontou desafios como licenciamento ambiental e articulação com órgãos como a Agência Nacional de Águas (ANA) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Para Mac Cord, o armazenamento de energia ganhou importância com o crescimento de fontes intermitentes (solar, eólica) e o aumento dos cortes de geração determinados pelo ONS (curtailment). Ele defendeu leilões amplos de armazenamento, não restritos a baterias: “Não devemos falar em leilões de baterias, mas, sim, leilões de armazenamento para avaliar as melhores tecnologias para o sistema”.
Mac Cord comparou as tecnologias: as baterias químicas têm custo inicial cerca de um terço menor, mas as hidrelétricas reversíveis têm vida útil muito maior. Ele destacou que os reservatórios das hidrelétricas brasileiras já atuam como baterias naturais, mas não são remunerados adequadamente por essa flexibilidade. O governo federal, por sua vez, avalia que as reversíveis devem ganhar espaço no planejamento energético para dar resiliência ao sistema.


