O forte recuo do petróleo após sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã ainda não elimina os riscos de novas altas da commodity, afirmou o especialista em investimentos da Armada Asset, Juliano Lara Fernandes. Segundo ele, o mercado financeiro continua subestimando a complexidade do conflito no Oriente Médio e o risco de prolongamento das tensões.
Fernandes afirmou que quedas como a observada já se repetiram nos últimos meses, com o petróleo retornando a US$ 100 ou US$ 110. Ele apontou que as negociações ainda enfrentam obstáculos, como o posicionamento de minas pelo Irã no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o escoamento global da commodity. O conflito, disse, envolve milícias e grupos armados além dos dois países centrais.
O especialista alertou que o mercado ignora problemas estruturais: cerca de 1 bilhão de barris deixaram de ser alocados nos últimos três meses, e as reservas estratégicas de diversos países operam próximas ao mínimo. A reposição dos estoques deve manter a demanda elevada, pressionando os preços futuros em seis a 12 meses.
Segundo Fernandes, os impactos sobre combustíveis, fertilizantes e gás natural devem manter a inflação global pressionada por 12 a 18 meses. Ele citou ainda a pressão fiscal nos Estados Unidos e a dificuldade do Federal Reserve em reduzir juros, o que contribui para a inflação exportada a outras economias, como o Brasil, que já revisa para cima as projeções do Focus.


