Apesar do cessar-fogo temporário no Líbano desde 17 de abril, a população enfrenta uma grave crise de saúde mental, com metade dos cidadãos apresentando sintomas de depressão, ansiedade ou estresse pós-traumático, segundo o International Rescue Committee (IRC). O país, que já contava com sistema de saúde frágil, tem apenas 70 psiquiatras para atender a demanda. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas e mais de 2,8 mil morreram em meio a violações recorrentes da trégua.
De acordo com o IRC, o Líbano já apresentava altas taxas de transtornos mentais antes da recente escalada, agravadas por anos de conflito, pandemia de Covid-19 e a explosão no porto de Beirute em 2020. O Dr. Rabih Chammay, chefe do Programa Nacional de Saúde Mental do Ministério da Saúde Pública libanês, afirmou que a demanda por cuidados deve aumentar após o cessar-fogo, quando as pessoas saírem do modo de sobrevivência e começarem a internalizar o luto e o trauma.
Para enfrentar a crise, o IRC mantém uma linha direta 24 horas de prevenção ao suicídio e uma Equipe Móvel de Crise que leva atendimento psicológico urgente a quem não consegue acessar unidades de saúde. Programas inovadores como o ‘Step by Step’, desenvolvido pela OMS e pelo governo libanês, e o ‘Self Help Plus’, série de podcasts baseada em terapia cognitivo-comportamental, ampliam o alcance, especialmente entre adolescentes.
No entanto, o financiamento humanitário global caiu cerca de 40% ano a ano, e a saúde mental continua subfinanciada. O IRC alerta que seus programas de saúde mental no Líbano têm verba apenas até o verão (no hemisfério norte). Sem novos investimentos, serviços essenciais podem ser interrompidos. Entre os mais de 390 mil crianças deslocadas, muitas perderam suas casas e sonham com um futuro melhor, mas precisam de apoio imediato da comunidade internacional.


