O Fidelity Wise Origin Bitcoin Fund (FBTC), que administra cerca de US$ 12 bilhões em Bitcoin, impõe anualmente aos seus cotistas um evento tributário decorrente da venda forçada de parte dos ativos para cobrir despesas operacionais, de acordo com a estrutura legal do fundo. Por ser organizado como um grantor trust, cada cotista é tratado como proprietário direto de uma fração do Bitcoin subjacente, e as vendas para pagamento de taxas geram ganhos de capital que devem ser declarados no Imposto de Renda.
Com uma taxa de administração de 0,25% ao ano, o fundo precisa vender periodicamente pequenas quantidades de Bitcoin para pagar custos operacionais. Essas vendas são rateadas entre os cotistas e reportadas anualmente em formulários fiscais, como o 1099-B. Para um investidor que comprou US$ 25 mil em cotas há dois anos, cerca de US$ 62 em Bitcoin são vendidos por ano de sua parcela, gerando ganho tributável se o ativo se valorizou.
O efeito é pequeno em um ano, mas, ao longo de uma década, a taxa de 0,25% corrói aproximadamente 2,5% do valor, e cada centavo passa como uma venda tributável. Investidores em faixas mais altas de imposto ou em estados como Califórnia perdem ainda mais. A volatilidade do Bitcoin agrava o problema: vendas forçadas perto de picos de preço geram ganhos maiores do que o investidor realizaria voluntariamente.
O Grayscale Bitcoin Trust (GBTC), após sua conversão em 2024, tem a mesma estrutura e, portanto, o mesmo tratamento tributário. Para evitar o imposto anual, a recomendação é manter o FBTC em contas de aposentadoria (IRAs ou 401(k)s), onde os ganhos não são tributados até o saque. A imprensa destaca que o fundo continua sendo uma forma eficiente de exposição ao Bitcoin, mas o investidor precisa estar ciente do custo fiscal oculto.

