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Ciência e Saúde

Estudo não vê efeito significativo em remédios para Alzheimer

Carla Fernandes
Última atualização: 27 de maio de 2026 22:28
Carla Fernandes
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Tempo: 2 min.
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Um estudo de revisão publicado na Cochrane Library, base internacional de análises clínicas, aponta que medicamentos contra o Alzheimer focados em reduzir placas de proteína beta-amiloide não têm efeito clinicamente significativo. Dois desses fármacos, lecanemabe e donanemabe, já foram aprovados no Brasil.

A análise, que reuniu 17 ensaios clínicos com 20.342 pacientes nas fases iniciais da doença, concluiu que, embora reduzam as placas amiloides, não há impacto relevante na capacidade dos pacientes de realizar atividades cotidianas. O estudo descreve os efeitos como ‘pequenos, na melhor das hipóteses’. Além disso, identificou aumento significativo de alterações cerebrais, como inchaço (119 casos por mil tratados contra 12 por mil no grupo controle) e micro-hemorragias, cerca de duas vezes mais comuns nos pacientes tratados.

Neurologistas ouvidos avaliam que a revisão tem limitações ao não separar moléculas que fracassaram daquelas que deram origem a medicamentos aprovados, como lecanemabe (Leqembi) e donanemabe (Kisunla), autorizados pela Anvisa. Para os médicos, embora os efeitos sejam modestos, essas terapias ainda representam ganho clínico. Em artigo de opinião, pesquisadores da University College London argumentam que agrupar medicamentos com mecanismos e resultados distintos pode levar a conclusões enganosas, já que 15 dos 17 estudos analisados tiveram resultados negativos.

Os autores da Cochrane, em entrevista coletiva, reforçaram que lecanemabe e donanemabe não apresentam benefícios clínicos relevantes. Segundo eles, um resultado ‘estatisticamente significativo’ não necessariamente indica melhora perceptível para o paciente. O epidemiologista Francesco Nonino, do Instituto de Ciências Neurológicas de Bolonha, afirmou que os resultados desses fármacos são ‘perfeitamente condizentes’ com a média da metanálise. Os autores defendem que a pesquisa explore outros mecanismos da doença.

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