Nos dois lados do front da guerra na Ucrânia, soldados recorrem ao uso de drogas para suportar os desafios do conflito, que já entrou no quinto ano. O vício e a automedicação se tornam problemas crescentes, embora amplamente negligenciados, segundo relatos e especialistas ouvidos pela imprensa.
As substâncias químicas servem para tratar dores de ferimentos, evitar o sono, suprimir o medo ou simplesmente continuar funcionando. Um oficial ucraniano, dependente em recuperação, afirmou: ‘Uma pessoa que nunca usou nada na vida acaba usando ali.’ Do lado ucraniano, muitos soldados servem desde 2022, sem recrutamento suficiente e sem plano de desmobilização.
Um soldado que desertou há dois anos e vive escondido para se recuperar do abuso de substâncias contou que a metadona o ajuda a ‘se distanciar daqueles horrores e daquela ansiedade constante’. O psicoterapeuta Ihor Alferow, com 20 anos de experiência no tratamento da dependência química e também capelão militar, alertou: ‘Na história recente, nenhum Exército lutou por quatro anos sem rodízio. Essas pessoas voltam com a bioquímica alterada.’
Victoriia Tymoshevska, diretora-executiva da Health Solutions, organização que pesquisa o uso de drogas, destacou que mesmo soldados gravemente feridos e hospitalizados continuam com dores mal controladas e sintomas de Transtorno de Estresse Pós-Traumático, necessitando de combinação de tratamentos. A dependência química poderá acompanhar os soldados após o fim dos confrontos, conforme especialistas.


