A obesidade se tornou o maior fator de risco para a saúde no Brasil, ultrapassando a hipertensão, que liderava há décadas. A conclusão é de um estudo global publicado em revista científica internacional, que analisou dados de mais de 200 países. O índice de massa corporal elevado (IMC) agora ocupa a primeira posição, seguido por pressão alta e glicemia elevada.
O levantamento, parte do Estudo Global sobre Carga de Doenças, comparou dados de 1990 e 2023. Há 33 anos, os três principais riscos eram hipertensão, tabagismo e poluição do ar. O IMC elevado estava em sétimo lugar. Em 2023, a obesidade acumulou alta de 15,3% no risco atribuído, enquanto o risco de poluição caiu 69,5% e o de tabagismo reduziu cerca de 60%, embora tenha subido 0,2% entre 2021 e 2023.
Outro destaque é o aumento de quase 24% no risco atribuído à violência sexual durante a infância, que saltou da 25ª para a 10ª posição. O endocrinologista Alexandre Hohl, membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), afirmou que a obesidade é “uma doença crônica inflamatória e metabólica” que eleva o risco de diabetes, hipertensão, infarto, AVC e câncer.
Segundo o estudo, a urbanização e a adoção de dietas hipercalóricas e ricas em ultraprocessados contribuem para o “ambiente obesogênico” no país. Especialistas apontam a necessidade de políticas públicas focadas na prevenção da obesidade como principal desafio de saúde pública.


