O IPCA-15 de maio registrou alta de 0,62%, reacendendo o debate sobre os rumos da política monetária. Para uma economista ouvida pela imprensa, a inflação atual reflete mais a resiliência da economia brasileira do que os efeitos da guerra, e o Banco Central corre o risco de não demonstrar comprometimento com o centro da meta de 3%.
A economista afirmou que os núcleos de inflação, especialmente o de serviços, estão em níveis preocupantes. “Em todas as métricas que você olha, qualquer abertura, é uma inflação extremamente alta, porque você tem, de fato, uma economia aquecida”, disse. Ela acrescentou que a diferença entre as projeções iniciais e atuais para a inflação tem pouco a ver com a guerra e muito com a resiliência da inflação, impulsionada por uma política fiscal expansionista.
Outro ponto de alerta foi a expectativa de inflação de longo prazo. Segundo a analista, ela é impactada pela percepção de que a dívida pública pode não seguir uma trajetória sustentável, o que gera pressão para que a economia seja inflacionada. Ela também criticou a sinalização do Banco Central: “A projeção do próprio BC não é perto de 3%”, e se a instituição continuar confortável com cortes adicionais de juros, o mercado pode interpretar que a meta efetiva não é mais 3%.
Para a próxima reunião do Copom, a economista avaliou que a decisão deverá ser de corte de 0,25 ponto percentual, mas a comunicação será mais determinante do que a decisão. Mesmo com eventual fim do conflito e recuo nos preços de commodities, ela concluiu que não há espaço para o BC ir além dos próximos 25 pontos, dado o estímulo fiscal, desemprego em mínimas históricas e crescimento da renda.


