A China intensifica esforços para se tornar autossuficiente em semicondutores após os Estados Unidos restringirem o acesso de empresas chinesas aos chips avançados da Nvidia, afirmou Alexandre Uehara, especialista em Ásia da ESPM, nesta quinta-feira (28).
Segundo o especialista, a tentativa americana de limitar o avanço chinês em inteligência artificial levou Pequim a ampliar investimentos próprios em tecnologia. O governo chinês estimula o uso de processadores nacionais, mesmo que estejam tecnologicamente abaixo dos americanos, para fortalecer a indústria local.
Uehara explicou que a estratégia visa dar escala e receita às empresas chinesas, permitindo mais recursos para pesquisa e desenvolvimento e possibilitando competição no médio e longo prazo. Ele destacou ainda o papel estratégico do controle chinês sobre terras raras e ímãs, que conferem vantagem em negociações comerciais e tecnológicas.
O especialista também comentou a atuação do grupo Quad, formado por Estados Unidos, Japão, Índia e Austrália, que busca ampliar presença no Pacífico para conter a influência chinesa, especialmente na região do Sudeste Asiático e no Mar do Sul da China.
Sobre Taiwan, Uehara afirmou que a ilha é central na disputa tecnológica por sua produção de chips. A importância estratégica funciona como fator de risco e proteção, pois a China não aceitaria uma declaração formal de independência nem sinais internacionais nesse sentido.


