A Serra do Padre Ângelo, no leste de Minas Gerais, revelou pelo menos 28 espécies novas e ecossistemas únicos da Mata Atlântica. Pesquisadores destacam plantas carnívoras gigantes, araucárias raras e vegetação de campos rupestres, além da importância hídrica da região.
Localizada entre os municípios de Conselheiro Pena e Alvarenga, a Serra do Padre Ângelo tornou-se um dos principais refúgios naturais do médio Rio Doce. Pesquisas recentes identificaram dezenas de espécies inéditas, como a planta carnívora Drosera magnifica, considerada a maior das Américas, e a canela-de-ema-gigante, que pode atingir sete metros de altura.
A região também abriga a população de araucárias mais ao norte já registrada no Brasil, embora com poucos indivíduos remanescentes. A presença de campos rupestres, vegetação rara que concentra cerca de 15% das espécies de plantas do país, contribui para a diversidade local.
A Serra do Padre Ângelo é fundamental para o abastecimento hídrico das cidades vizinhas, com córregos e nascentes que alimentam as bacias do Rio Doce e do Rio Manhuaçu. No entanto, a área enfrenta ameaças como queimadas, turismo desordenado, erosão e avanço da pecuária.
O relevo acidentado da serra ajudou a conservar fragmentos importantes da vegetação nativa. Pesquisadores ressaltam o papel da comunidade local nas descobertas e defendem medidas permanentes de conservação para proteger as espécies únicas da região.


