O anúncio de uma possível tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações brasileiras, feito pelo governo de Donald Trump, gerou tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos. Contudo, dados econômicos indicam que o impacto direto sobre a economia nacional tende a ser restrito, segundo o economista Marcos Troyjo.
O economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), afirmou que o Brasil possui um perfil econômico menos dependente de exportações que a maioria das grandes economias. Em 2025, as vendas externas brasileiras somaram cerca de US$ 350 bilhões, o que equivale a 13,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em contraste, nos EUA, a proporção é inferior a 7%.
A sugestão tarifária surgiu após investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) no âmbito da Seção 301. Troyjo explicou que, antes da proposta, o Brasil respondia por cerca de 1% das compras externas dos EUA, totalizando aproximadamente US$ 37 bilhões por ano. O valor potencial afetado pelas tarifas, em valores absolutos, representa cerca de US$ 9,5 bilhões.
Esse montante corresponde a aproximadamente 2,7% das exportações totais do Brasil e 0,36% do PIB nacional. Os percentuais ajudam a diferenciar os efeitos políticos da medida dos seus efeitos econômicos. Troyjo comentou que o comércio entre os dois países demonstra “um case exemplar de deseconomia, subdesempenho e oportunidades desperdiçadas”.


