A literatura de Goiás possui um sabor intrínseco ligado à sua terra, afirma um ensaio que compara o escritor a um cozinheiro. O texto defende que a produção cultural local deve refletir os frutos regionais, criticando a importação de gostos que não nutrem a memória.
O autor argumenta que todo escritor atua como cozinheiro, selecionando e preparando os elementos de seu meio para oferecer aos leitores. Segundo o ensaio, assim como na culinária, a literatura reflete a terra que a gerou, apresentando um legado de sabores doces, salgados, azedos e amargos.
O ensaio aponta um problema na atualidade: a generalização de gostos, onde sabores importados são aplicados sem a devida conexão com a cultura local. O autor alerta que essas substituições arbitrárias, comparadas a comida enlatada, não nutrem o espírito e colocam em risco a memória do povo.
José Reinaldo Martins Filho, professor da PUC Goiás, explica que a boa comida da terra permite uma digestão saudável, o que se traduz na força para construir novos mundos. Ele é autor de obras como “Boiuna” (2025) e “A lenda do Pai-do-mato” (2025).


