O dono do Banco Master entregou uma nova proposta de delação premiada à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR) na última segunda-feira. A defesa do banqueiro incluiu novos assuntos, mas ele continua resistindo a implicar políticos, o que pode travar o avanço do acordo.
A nova proposta foi apresentada após a primeira tentativa ser rejeitada pelos investigadores. Segundo pessoas que acompanham a negociação, o banqueiro afirmou aos advogados ter feito pagamentos a políticos por sua relação de “amizade”, sem exigir contrapartidas. Essa postura tem sido vista como um obstáculo ao avanço da delação.
Vínculos financeiros entre o banqueiro e autoridades incluem dois ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Uma empresa da família de Toffoli vendeu cotas de um resort no Paraná para um fundo ligado ao Master. Já em relação a Moraes, há um contrato de prestação de serviço entre o banco e a advogada Viviane Barci, mulher do ministro.
A PF avalia que a investigação já avança por meio de provas obtidas na Operação Compliance Zero. Os agentes apontam que a delação só seria valiosa se trouxesse informações novas. A PF informou ao ministro André Mendonça, relator da investigação no Supremo, que analisará o documento, mas as lacunas da primeira tentativa geraram desconfiança sobre o interesse efetivo do banqueiro em colaborar.


