Um estudo do Federal Reserve Bank de Boston indica que o principal efeito do choque do petróleo, decorrente da crise no Estreito Ormuz, recai sobre a inflação e não sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. A análise, divulgada nesta quinta-feira (4), aponta que a economia americana se adaptou a choques externos, exigindo foco da política monetária nos preços.
Os pesquisadores do Fed de Boston observaram que, diferentemente dos choques dos anos 1970, os atuais tendem a gerar pressão inflacionária com impactos limitados no emprego. Essa conclusão reforça uma tendência vista no Brasil: o canal de transmissão dos choques geopolíticos ligados ao petróleo migrou do mercado de trabalho para a inflação. A alta do petróleo Brent, que subiu de perto de US$ 68 para quase US$ 100, interrompeu a desaceleração inflacionária observada em diversas economias desde 2022.
No Brasil, os impactos da tensão externa são parcialmente mitigados por características internas. Segundo o Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, o país mantém a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2,3% para 2026. Contudo, a estimativa para o IPCA de 2026 foi revisada de 3,7% para 4,5% devido à elevação das pressões inflacionárias.
A secretária de Política Econômica, Débora Freire, declarou que o conflito no Oriente Médio alterou o ambiente macroeconômico global, combinando menor crescimento e inflação mais elevada. A SPE afirma que a posição do Brasil como exportador líquido de petróleo funciona como amortecedor, fortalecendo contas externas e mantendo a resiliência do mercado de trabalho.


