O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira, 4, que o governo americano desconsiderou os argumentos brasileiros ao propor novas tarifas em duas investigações comerciais. O anúncio, feito antes do prazo acordado entre os presidentes, foi visto pelo governo como uma ameaça política.
Vieira relatou a conversa com o representante comercial dos Estados Unidos (USTR) na véspera, antes de uma plenária da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). O ministro disse ao representante que o anúncio das recomendações ocorreu dentro do prazo de 30 dias estabelecido pelos presidentes para buscar uma solução. Ele informou que o americano indicou que ainda há espaço para negociação.
As apurações, baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974, sugerem tarifas de 25% por práticas desleais e mais 12,5% por falhas no combate ao trabalho forçado. O ministro contestou a acusação de desmatamento, afirmando que o Brasil reduziu a área desmatada na Amazônia Legal pela metade entre 2022 e 2025, segundo dados do MapBiomas.
Sobre o etanol, Vieira explicou que o governo brasileiro decidiu vincular sua resposta às barreiras de acesso do açúcar no mercado dos EUA. Ele comentou que os EUA reclamam da tarifa brasileira, mas cobram uma tarifa quatro vezes maior para importar o açúcar nacional.


