O governo brasileiro avalia os efeitos práticos da decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A designação mais ampla deve entrar em vigor nesta sexta-feira, e técnicos do Ministério da Justiça aguardam o início para analisar as consequências.
Auxiliares do presidente Lula afirmam que é necessário aguardar a classificação entrar em vigor para definir os próximos passos. Um técnico do Ministério da Justiça explicou que os órgãos americanos apresentam sobreposição de atribuições, citando o FBI e a CIA no combate ao terrorismo. Isso gera incerteza sobre se haverá mudança no eixo de diálogo com os EUA.
O governo brasileiro não prevê meios de reverter a classificação do Departamento de Estado dos EUA no curto prazo, pois não há argumento para que os americanos recuem. Contudo, a orientação é manter o discurso de combate ao crime organizado e cooperação internacional. As medidas americanas incluem a classificação como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT) e Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO).
Com as classificações em vigor, os EUA poderão aplicar medidas financeiras e operacionais contra as facções, restringir a migração de seus membros e ampliar o uso de inteligência do Departamento de Defesa. Há receio de que instituições financeiras brasileiras sejam impedidas de operar no mercado americano se houver movimentação de recursos ligados às facções.


