Nove pessoas foram presas na Paraíba na terça-feira (2) durante a Operação Perfidus. Dois investigadores da Polícia Civil foram detidos por participar de organização criminosa que desviou drogas da corporação. Os agentes tentaram reter parte do dinheiro de uma venda de entorpecentes destinada ao delegado Braz Morroni, também preso.
A decisão judicial que autorizou as prisões e mandados de busca e apreensão detalha o esquema. Um dos agentes presos relatou em dezembro de 2025 que reclamou de cobranças de drogas feitas pelo delegado e planejou omitir uma venda de R$ 18 mil do chefe, que era considerado o próprio delegado, devido ao cargo na corporação. O objetivo era reter a cota do delegado para reinvestir no tráfico.
A investigação aponta que o delegado recebia repasses de dinheiro oriundos das negociações dos investigadores. Ele cobrava agilidade na recuperação de valores de drogas vendidas a prazo e usava sua posição hierárquica para proteger o grupo. Transferências financeiras e conversas interceptadas confirmam a reserva de lucros para o delegado em operações ilícitas.
Em audiência de custódia, a defesa do delegado solicitou prisão domiciliar humanitária, alegando diagnóstico de câncer de próstata. A juíza Michelini de Oliveira Dantas indeferiu o pedido, pois não foi anexado laudo médico atualizado de 2026 e o exame físico atestou a integridade do custodiado. O delegado foi mantido preso temporariamente por 30 dias.


