Em 1951, médicos coletaram amostras de tecido de uma paciente durante tratamento de câncer de colo do útero no Hospital Johns Hopkins, em Baltimore, sem autorização. A mulher, que faleceu aos 31 anos, deu origem à linhagem celular HeLa, que se tornou um pilar da biomedicina moderna.
As células retiradas do tumor apresentaram uma característica única: elas se multiplicavam indefinidamente em laboratório, diferentemente de outras células humanas estudadas. Essa descoberta deu nome à linhagem HeLa, que se tornou a primeira linhagem humana considerada “imortal”. Os pesquisadores usaram as células para realizar experimentos em larga escala e padronizados.
Ao longo das décadas, as células HeLa foram distribuídas globalmente e auxiliaram no desenvolvimento de vacinas contra poliomielite e em pesquisas sobre câncer, genética e HIV. Estima-se que bilhões de células derivadas da linhagem original foram produzidas.
Apesar da contribuição científica, a família da paciente desconhecia o uso das células por décadas. Eles tomaram conhecimento da situação nos anos 1970, sem receber reconhecimento ou compensação financeira. A história gerou debates sobre ética médica e justiça racial.
Nos últimos anos, os descendentes iniciaram ações judiciais contra empresas que lucraram com os produtos. Em 2023, a família firmou acordo confidencial com a Thermo Fisher Scientific, e novos acordos ocorreram em 2026.


