A sociedade deve lamentar cada caso de corrupção, mesmo que o escândalo atinja um partido detestado. O autor afirma que a indecência prejudica o corpo social como um todo, configurando uma falha no sistema democrático.
Celebrar a corrupção porque ela prejudica o adversário político é comparado a se alegrar com um acidente em um veículo de transporte. Essa satisfação tática anula a preocupação moral, pois a militância se transformou em uma marca de identidade. O mal-estar alheio, segundo o texto, frequentemente consola o descontentamento próprio.
A democracia é um fenômeno raro e constantemente ameaçado. Cada caso de corrupção descoberto é uma notícia positiva por revelar a doença, mas é uma notícia negativa por confirmar sua existência. Quando o foco se torna apenas a notícia boa, há um desajuste na sensibilidade cívica.
A patologia, aponta o texto, pode residir em gozar dos benefícios secundários que o sintoma oferece, em vez de se preocupar com a doença de fundo que ameaça o sistema.


