A Raízen, gigante dos setores de energia e combustíveis, negocia uma recuperação extrajudicial para reestruturar sua dívida de R$ 65 bilhões. A empresa busca evitar o processo judicial, com prazo final para acordo estabelecido para a próxima segunda-feira, 8.
O mecanismo extrajudicial, segundo o advogado Hanna Mtanios, é mais simples e menos burocrático, pois ocorre por negociações diretas entre credores e devedores, com menor intervenção do Poder Judiciário. Caso o acordo não se concretize até o prazo estipulado, a empresa não será obrigada automaticamente a solicitar a recuperação judicial, mas continuará responsável por suas obrigações financeiras.
Entre as estratégias em discussão, há a conversão de parte do passivo em participação acionária, o que pode modificar a estrutura de controle da companhia. Paralelamente, a empresa planeja vender ativos na Argentina, como refinarias e postos de combustíveis, com expectativa de levantar mais de US$ 1 bilhão para reforçar o caixa.
A análise jurídica aponta que, sem a recuperação judicial, a companhia tem liberdade para negociar seus ativos. Contudo, um processo judicial suspende pagamentos, gerando um efeito dominó que pode impactar fornecedores, parceiros e, em alguns casos, o consumidor final. A empresa possui poder de barganha devido ao tamanho do passivo, mas a organização dos credores é considerada essencial para um equilíbrio nas negociações.

