Estudos da NASA, que combinaram observações de satélite e testes genéticos, indicam que o aquecimento dos oceanos está gerando estresse nutricional em micro-organismos marinhos. A limitação de nutrientes vitais, como nitrogênio e ferro, ameaça remodelar ecossistemas em grande parte do oceano global.
A pesquisa, publicada em veículos de comunicação científicos, rastreou a condição do fitoplâncton, que sustenta as cadeias alimentares marinhas. Os cientistas inferiram o estresse ao monitorar mudanças no índice carbono/clorofila, observado por satélite. Segundo Laura Lorenzoni, cientista do programa da NASA, o monitoramento da saúde oceânica é fundamental, pois o fitoplâncton é a base de atividades econômicas importantes.
Os sinais mais fortes de estresse nutricional foram encontrados nos giros subtropicais dos oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. Nesses locais, a camada de água quente impede o fluxo de água fria e rica em nutrientes das profundezas. Adam Martiny, oceanógrafo envolvido no estudo, explicou que essa estratificação bloqueia o suprimento de nutrientes essenciais para o fitoplâncton.
O estudo revelou que, entre 2002 e 2021, a temperatura média da superfície do mar aumentou em quase 90% da área oceânica analisada, intensificando o estresse nutricional. Contudo, os pesquisadores notaram que algumas regiões do Hemisfério Sul podem apresentar maior resiliência, possivelmente devido a micro-organismos capazes de capturar nitrogênio do ar.


