A Polícia Federal classificou a decisão dos Estados Unidos de rotular o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas como um equívoco. Especialistas em segurança avaliam que a medida representa risco à soberania nacional, enquanto defensores apontam potencial para ampliar a cooperação internacional.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou que a classificação americana não influencia as políticas públicas brasileiras. Segundo ele, a legislação nacional foca na descapitalização das organizações criminosas e na prisão de lideranças. Rodrigues explicou que a estratégia de enfrentamento difere, pois organizações terroristas possuem motivos ideológicos, ao passo que o crime organizado busca lucro.
A medida gera preocupações sobre a cooperação internacional. O ex-secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, afirmou que o canal de cooperação entre agências policiais brasileiras e americanas pode ficar interrompido. Por outro lado, Leandro Piquet, coordenador da Escola de Segurança Multidimensional da USP, viu a decisão como oportunidade para o Brasil reforçar a fiscalização e usar mecanismos de congelamento de ativos nos Estados Unidos.
O presidente da Febraban, Isaac Sidney, comentou que a medida pode afetar investimentos, mas defendeu o diálogo. Sidney afirmou que o setor bancário brasileiro possui institucionalidade forte e atua com integridade e compliance, sendo necessário engajar-se na interlocução com autoridades americanas.


