A classificação de grupos criminosos como terroristas pelos Estados Unidos sinaliza uma mudança na doutrina de segurança nacional americana, gerando preocupações sobre interferência na América Latina. Segundo análise de Américo Martins, essa medida permite aos EUA usar instrumentos mais duros, como sanções e pressão diplomática, contra países vizinhos.
A decisão americana vai além do combate ao crime transnacional. Martins explicou que, desde o retorno do presidente Donald Trump, os EUA ampliaram o conceito de terrorismo para incluir redes ligadas ao narcotráfico, tráfico de armas e migração ilegal na região. Essa nova classificação possibilita que os Estados Unidos apliquem sanções políticas e econômicas, além de exercer pressão diplomática e realizar ações militares em territórios estrangeiros.
O analista citou que a agência de espionagem CIA realiza ações secretas contra cartéis mexicanos, incluindo a eliminação de suspeitos no México. Além disso, militares americanos afundaram embarcações no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico, usando esse argumento como justificativa para as operações. Martins afirmou que tratar o crime organizado como ameaça global sob liderança exclusiva dos EUA avança sobre temas de responsabilidade interna dos países.
Críticos veem a política como um ataque à soberania regional. O embasamento formal para essa postura está em um documento de Donald Trump, que declara intenção de expandir a atuação dos EUA na América Latina, privilegiando governos alinhados às políticas americanas. Martins sugeriu que uma colaboração mais forte entre Brasil e Estados Unidos seria mais efetiva no combate ao crime organizado.


