A possibilidade de novas tarifas impostas pelos Estados Unidos pode ampliar as exportações brasileiras para a China, consolidando o país asiático como o maior parceiro comercial do Brasil. Dados mostram que, enquanto as vendas para os EUA caíram 16,02% nos primeiros cinco meses de 2026, o comércio com a China cresceu 21,82% no mesmo período.
Especialistas apontam que a tendência é de maior favorecimento à balança comercial brasileira com a China. O Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs tarifas de 25% ao Brasil, baseando-se em conclusões de investigação comercial da Seção 301. Além disso, o USTR incluiu o Brasil em uma lista de 59 nações recomendadas para tarifas de 10% a 12,5%, devido a falhas no combate ao trabalho forçado, segundo os Estados Unidos.
Os números refletem essa mudança de fluxo. Nos cinco primeiros meses de 2026, os envios de bens do Brasil para os EUA registraram queda de 16,02%, caindo para US$ 14,01 bilhões, contra US$ 16,6 bilhões em 2025. A participação dos EUA no comércio brasileiro caiu de 12,21% (jan-mai/2025) para 9,43% neste ano. Em contraste, as exportações para a China saltaram para US$ 46,2 bilhões, representando 31,14% do total, um aumento de 21,82% sobre 2025.
O professor doutor Jan Marcel Lacerda, especialista em Comércio Exterior, avalia que o novo cenário tarifário deve aprofundar as relações sino-brasileiras. Ele menciona a importância do minério e das terras raras, recursos que o Brasil possui em grandes reservas. Além disso, o sócio fundador da consultoria BMJ, Welber Barral, afirmou que as barreiras americanas obrigam empresas e governo brasileiros a buscar novos acordos, como os fechados com a Indonésia e a EFTA.


