A designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode fortalecer as facções criminosas no Brasil e no mundo, segundo o criminologista Nikos Passas, professor da Universidade Northeastern, nos EUA. O especialista alertou que a falta de cooperação internacional pode tornar as organizações mais poderosas e difíceis de detectar.
Passas afirmou que a aplicação rigorosa de medidas contra essas organizações, no passado, serviu de incentivo para que elas se tornassem mais sofisticadas e resilientes. O criminologista observou que o PCC e o CV conseguiram expandir operações apesar das ações tomadas no Brasil e internacionalmente, demonstrando capacidade de adaptação.
O especialista explicou que, sem colaboração estreita entre os governos americano e brasileiro, o cenário pode reverter a favor dos criminosos. As facções, segundo Passas, têm recursos para operar mesmo sob restrições, podendo buscar aconselhamento legal e financeiro sofisticado para contornar a lei.
A classificação como terrorista implica a inclusão das organizações na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro americano, o que bloqueia bens e penaliza quem apoia as facções. Passas ressaltou que, sem acordo entre autoridades locais, o alcance extraterritorial da lei americana será limitado.

