A escalada de tensões no Oriente Médio reacendeu o debate sobre segurança energética global, elevando a volatilidade dos mercados de petróleo. O conflito gera preocupações com o abastecimento mundial e força governos a monitorar os efeitos da alta da commodity sobre a inflação e o crescimento econômico.
Um estudo do Federal Reserve Bank, de Boston, aponta que choques de petróleo afetam a inflação, e não o desemprego, na economia dos Estados Unidos. Os pesquisadores afirmam que a economia americana se tornou menos dependente de energia desde as crises de 1973 e 1979, fazendo com que a pressão sobre os preços seja o principal efeito da alta do petróleo. Apesar disso, restrições no Estreito de Ormuz continuam impactando a economia global.
O conflito elevou os riscos de fornecimento, fazendo com que o barril de petróleo Brent subisse de perto de US$ 68 para quase US$ 100 em momentos de tensão. Esse movimento interrompeu a desaceleração inflacionária observada desde 2022 e aumentou a incerteza sobre juros e crescimento em diversas economias.
No Brasil, os efeitos da instabilidade internacional mostram-se mais controlados. Segundo o Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, a projeção de crescimento do PIB para 2026 permanece em 2,3%. Contudo, o governo revisou a estimativa do IPCA de 2026 de 3,7% para 4,5% devido às pressões do petróleo. O país pode compensar parte dos efeitos negativos por ser exportador de energia, o que tende a fortalecer as contas externas.

