Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) registraram, pela primeira vez, o crescimento de um filhote de mico-leão-preto em seu habitat natural no interior de São Paulo. O monitoramento inédito, realizado na região do Pontal do Paranapanema, utiliza 27 armadilhas fotográficas para acompanhar a espécie ameaçada.
O estudo, que faz parte de uma iniciativa internacional, permite um acompanhamento não invasivo do animal, funcionando vinte e quatro horas por dia. Segundo Gabriela Rezende, coordenadora do Programa de Conservação do Mico-Leão-Preto, a tecnologia não interfere na rotina da floresta nem causa estresse aos animais.
A conservação da espécie é vista como um indicador de sucesso das ações de manejo. Maria Carolina Manzano, pesquisadora do IPÊ, explicou que o nascimento de filhotes mostra que a população está saudável o suficiente para se reproduzir. Ela afirmou que, em populações ameaçadas, cada novo indivíduo representa uma porcentagem significativa para a sobrevivência da espécie.
Além do mico-leão-preto, as câmeras registraram outras espécies, como famílias de gambás e macacos-prego. Os pesquisadores destacam que o mico-leão-preto atua como uma espécie-bandeira, beneficiando todo o ecossistema local. O local exato do registro do filhote foi mantido em sigilo para garantir a proteção dos animais.

