Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma plataforma de nanotecnologia capaz de tratar doenças de pele, como psoríase e vitiligo, com precisão molecular. O grupo, ligado ao NanoGeneSkin, utiliza nanopartículas para entregar moléculas de RNA terapêutico diretamente às células cutâneas, silenciando genes responsáveis pela inflamação crônica.
A investigação, que ocorre no âmbito do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) de Nanotecnologia Farmacêutica, é financiada pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Segundo Maria Vitória Bentley, coordenadora do NanoGeneSkin, o trabalho visa tratar condições crônicas, como psoríase e vitiligo, ao identificar e silenciar genes específicos superexpressos que dirigem o processo patológico.
A psoríase, doença crônica e imunomediada, afeta cerca de 190 milhões de pessoas globalmente. A abordagem do grupo utiliza RNA de interferência (siRNA) para degradar o RNA mensageiro responsável pela produção de citocinas inflamatórias, reduzindo mediadores da inflamação a níveis basais. Bentley explicou que isso representa “a nanomedicina de precisão”, pois permite um alvo específico.
Para superar a fragilidade do RNA e a barreira da pele, os pesquisadores criaram nanopartículas de cristais líquidos, estruturas lipídicas que encapsulam o material genético. Além das doenças de pele, a tecnologia avança para cicatrização de feridas e para o desenvolvimento de nanoestrutura de mRNA, com potencial uso em vacinas contra o câncer. .

