Jovens de comunidades vulnerabilizadas do Rio de Janeiro se reuniram para debater o direito à água e o saneamento básico. O encontro, organizado pela Águas Resilientes, culminará na confecção de uma carta com propostas para autoridades brasileiras e para a Conferência de Águas da ONU, que ocorrerá nos Emirados Árabes Unidos em dezembro.
A discussão abordou o custo da universalização do saneamento no Brasil. A especialista Andrea Pulici explicou que o Marco Legal do Saneamento estabelece a meta de atingir 99% de acesso à água tratada e 90% à coleta de esgoto até o fim de 2033. Para alcançar esse objetivo, são necessários investimentos na ordem de R$ 114 bilhões por ano, segundo a especialista, valor que se alinha à projeção da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) de até R$ 900 bilhões em 2033.
Dados do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico indicam que 84,1% da população é atendida com rede de abastecimento de água, mas apenas 62,3% possui rede coletora de esgoto. A ativista Johari Silva, da Ação da Cidadania, afirmou que a falta de água afeta a dignidade, defendendo que a diplomacia climática deve ouvir as comunidades tradicionais e periferias urbanas.
Matheus Marlisson, cientista político, classificou a crise climática como o maior desafio do milênio e defendeu que o Brasil pode contribuir com uma visão integrada no debate global. A deputada estadual Dani Monteiro, que preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), declarou que a governança hídrica exige participação cidadã, reforçando a ligação entre justiça pela água e justiça climática.

