A designação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos Estados Unidos pode fortalecer as facções criminosas no Brasil e no mundo, segundo o criminologista Nikos Passas, professor da Universidade Northeastern. A medida, que entrou em vigor na sexta-feira (5), gera preocupação por um possível efeito contrário ao desejado pelas autoridades americanas.
Passas afirmou que a aplicação rigorosa de medidas contra essas organizações, no passado, serviu de incentivo para que elas se tornassem mais organizadas, sofisticadas e resilientes. O especialista observou que as facções conseguiram expandir operações apesar das ações tomadas no Brasil e internacionalmente, demonstrando capacidade de adaptação.
Sem uma cooperação internacional estreita entre os governos americano e brasileiro, o cenário pode reverter a favor dos criminosos. Passas explicou que, na ausência de colaboração, as organizações podem se tornar mais poderosas e difíceis de detectar, precisando mudar a gestão financeira e buscando aconselhamento legal sofisticado.
A decisão dos EUA foi vista como derrota pelo governo brasileiro, que se opôs à medida alegando risco à soberania nacional. A classificação também implica a inclusão das facções na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac), bloqueando bens e impondo penalidades a quem oferecer apoio material.


