O cientista político Guilherme Casarões afirmou que os ataques dos Estados Unidos ao Pix auxiliam o presidente Lula a transformar a defesa da soberania em algo concreto. Ele avaliou que a movimentação do governo americano reflete disputas internas de poder e que o Pix ganha força como arma eleitoral.
Casarões, coordenador do Observatório da Extrema Direita, explicou que o governo americano opera de maneira descoordenada, com diversos núcleos de interesse definindo agendas setoriais. O especialista observou que a questão do Pix materializa a defesa da soberania, pois é um mecanismo de pagamento desenvolvido no Brasil que inclui milhões de pessoas no sistema bancário, gerando um sentimento de orgulho nacional.
O analista comentou que, enquanto antes era difícil defender a soberania de forma abstrata, o Pix oferece um ponto tangível. Ele também alertou que o grande perigo das ações americanas é abrir precedente para interferência econômica, jurídica ou militar no Brasil, como o congelamento de ativos financeiros de empresas suspeitas.
Casarões observou que a política externa voltou a importar devido ao novo protagonismo dos EUA na América Latina. Ele diferenciou isso da Doutrina Monroe do século XIX, afirmando que os instrumentos atuais dos EUA permitem penalizar autoridades e designar grupos como terroristas, algo que Trump utilizou contra o Brasil.


