A restrição de acesso do ex-presidente a decisões estratégicas da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro gera dificuldades de checagem para aliados. As orientações passam por canais restritos, concentrados nos filhos e na ex-primeira-dama, afetando a definição de palanques estaduais.
Apesar da prisão domiciliar, o ex-presidente exerce influência sobre temas centrais da pré-campanha. Interlocutores afirmam que as avaliações chegam ao grupo político por meio dos filhos e da ex-primeira-dama. Contudo, aliados reconhecem que essa dinâmica cria dificuldades práticas, pois nem sempre é simples confirmar as orientações que circulam nos bastidores.
Segundo relatos, a nova configuração dificulta a checagem de informações. Decisões e avaliações chegam ao grupo acompanhadas da justificativa de que representam a vontade do ex-presidente. O senador Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara, minimiza a preocupação, afirmando que a influência do ex-presidente é pública e facilmente verificável.
O ex-presidente está em prisão domiciliar desde o fim de março, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF). A influência se manifesta nas negociações eleitorais, como na definição de candidaturas majoritárias. A equipe de um senador trabalha em um diagnóstico de palanques, material que deve ser apresentado ao ex-presidente neste mês para sua palavra final.

