Dois ataques recentes ocorreram nesta semana no litoral de Pernambuco, na Região Metropolitana do Recife, envolvendo um menino de 11 anos e uma jovem de 19 anos. A região concentra o maior número de ocorrências no país desde os anos 1990, e especialistas apontam fatores ambientais e intervenções humanas como causas.
Pesquisadores afirmam que os incidentes não resultam de comportamento agressivo dos tubarões contra humanos. Na maioria dos casos, os animais confundem banhistas com possíveis presas durante a busca por alimento. Dados do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit) indicam que Pernambuco e Fernando de Noronha registraram 84 ataques desde 1992.
Entre os fatores de risco, a construção do Complexo Industrial Portuário de Suape foi apontada por especialistas. O biólogo marinho Marcelo Szpilman explicou que as obras alteraram manguezais e fecharam duas desembocaduras de rios, áreas usadas por fêmeas de tubarão-cabeça-chata para reprodução. Essa mudança forçou parte dos animais a migrar para áreas próximas às praias da Grande Recife.
Além disso, condições naturais influenciam os encontros. A maré alta permite que os tubarões ultrapassem barreiras de recifes, e a água turva faz com que os animais usem sensores, como as ampolas de Lorenzini, para localizar presas sem depender da visão. Cerca de 90% dos ataques na Grande Recife envolvem o tubarão-cabeça-chata.

