A Geração Z está redefinindo os padrões de relacionamento, demonstrando esgotamento emocional com o uso de aplicativos de namoro. Pesquisas indicam que 79% desse grupo sente fadiga com as plataformas, enquanto o Brasil figura com baixa satisfação amorosa no cenário latino-americano.
O psicanalista Lucas Scudeler explica que a lógica de consumo de opções nos aplicativos gera o chamado paradoxo da escolha. Ele afirma que, com tantas possibilidades digitais, torna-se mais difícil o comprometimento com um parceiro específico. “O que os apps de namoro venderam como liberdade pode ter produzido, na prática, uma incapacidade crescente de se encantar”, disse o especialista.
Essa mudança reflete um contexto geracional. Muitos jovens cresceram com pais divorciados ou casamentos infelizes, o que levou a um pragmatismo sobre o amor. Scudeler pontua que a geração não rejeita o afeto, mas questiona o modelo de destino romântico. A busca por um relacionamento irreal, perfeito, transforma qualquer imperfeição em motivo para descarte.
A tendência se manifesta também no mercado. Relatórios financeiros de empresas de aplicativos apontam queda na receita e na base de usuários pagantes, indicando que a Geração Z está abandonando as plataformas. Para esse grupo, o autoconhecimento e a saúde emocional precedem a busca por um parceiro, mudando o papel do amor de salvação para complemento.


