O Brasil não aplica tarifas adicionais aos dez produtos mais importados dos Estados Unidos pelo mercado nacional em 2026. A investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que recomendou tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, teve seu foco alterado, afastando-se das alegações iniciais de protecionismo.
Apesar das acusações de práticas comerciais desleais, o país sul-americano mantém a isenção tarifária para os dez itens norte-americanos mais comprados. O levantamento, que analisou os vinte produtos com maior participação na balança comercial Brasil-EUA, utilizou a Tarifa Externa Comum do Mercosul (TEC) para os dados brasileiros, enquanto os dados dos EUA vieram da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos (USITC).
Inicialmente, em julho de 2025, os norte-americanos alegavam que o Brasil impunha barreiras tarifárias e adotava práticas protecionistas. Contudo, o relatório recente do USTR concentra as justificativas para a nova tarifa em temas como uso de trabalho forçado, supostas desvantagens do Pix, regulação de redes sociais e falhas no combate ao desmatamento, sem mencionar protecionismo ou déficit comercial.
O ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, comentou que a mudança de discurso é politicamente útil para os EUA. Segundo ele, a acusação de protecionismo possui base seletiva e componente de retórica política, pois “tarifa nominal não é sinônimo de abertura real”.

