Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) utilizaram microscopia eletrônica para demonstrar que a combinação de descoloração, alisamento ácido e calor intenso causa danos estruturais severos e irreversíveis nos cabelos.
O estudo, conduzido no Instituto de Física (IF) da USP, alerta sobre os riscos de procedimentos químicos combinados com altas temperaturas, comuns em salões de beleza. Os fios podem sofrer comprometimento das substâncias internas e externas, resultando em cabelos frágeis, porosos e sem brilho.
As análises, que envolveram fios virgens e tratados submetidos a temperaturas entre 30°C e 270°C, mostraram que o córtex, camada interna, é mais sensível ao calor que a cutícula. A pesquisadora Cibele de Castro Lima afirmou que os danos mais graves ocorreram quando os tratamentos químicos e o calor foram aplicados simultaneamente.
Os dados revelaram que transformações profundas começam no interior da fibra antes de aparecerem na superfície. A degradação das cadeias de queratina, principal proteína do cabelo, inicia-se a partir de 220°C, com quebra do córtex entre 220°C e 250°C. Acima de 260°C, os lipídios, responsáveis pela hidratação, desaparecem.
O professor Cristiano Oliveira, orientador da pesquisa, disse que o conhecimento gerado pode auxiliar a indústria cosmética a identificar temperaturas críticas. Ele reforçou a necessidade de moderar o uso de chapinhas e processos químicos combinados, pois os danos podem ocorrer mesmo em cabelos virgens.

