A busca por minerais críticos para a transição energética impulsiona um movimento global de consolidação no setor de mineração. Devido à disputa geopolítica entre Estados Unidos e China, o Brasil, detentor de reservas estratégicas, atraiu o interesse de grandes investidores e mineradoras.
O apetite por fusões e aquisições (M&A) cresceu com a tentativa de países ocidentais de reduzir a dependência da China no processamento de terras raras. Segundo estudo da KPMG, as operações no setor mineral brasileiro, especialmente em cadeias de minerais críticos, saltaram 56% no primeiro semestre de 2025. Em abril, a empresa americana USA Rare Earth adquiriu a brasileira Serra Verde por US$ 2,8 bilhões.
A Serra Verde, localizada em Goiás, possui mina e planta de processamento de terras raras e é a única fora da Ásia capaz de produzir comercialmente quatro elementos magnéticos críticos. Paralelamente, a Rio Tinto comprou a Arcadium Lithium por US$ 6,7 bilhões e retomou negociações com a Glencore, visando uma megafusão avaliada em US$ 260 bilhões.
Analistas apontam que os grandes players buscam projetos “brownfield”, ou seja, já em operação, devido à dificuldade de obter licenciamentos ambientais e sociais. A Companhia Brasileira de Alumínio, por exemplo, vendeu 68,59% do capital para uma joint venture com a chinesa Aluminum Corporation of China Limited e a Rio Tinto, totalizando R$ 4,689 bilhões.

