A alta do preço do petróleo coloca o Brasil em posição favorável para aumentar receitas e fortalecer contas públicas. Contudo, especialistas alertam que o desafio central é transformar esses ganhos temporários em investimentos que gerem crescimento sustentável e estabilidade econômica de longo prazo.
O presidente do Corecon-SP, Haroldo da Silva, afirmou que o país tem uma oportunidade de usar a renda do petróleo como vetor de desenvolvimento, mas isso requer planejamento estratégico que transcenda os ciclos de governo. O principal risco apontado é a chamada “maldição dos recursos naturais”, que desincentiva a diversificação produtiva, a industrialização e a inovação tecnológica.
Para aprender com experiências internacionais, o especialista citou a Noruega, que utilizou as receitas do petróleo para criar um fundo soberano e estruturar governança. Ele também mencionou o Alasca como exemplo de manejo adequado de descobertas petrolíferas. O Brasil deve fortalecer mecanismos de poupança pública, infraestrutura e educação.
A transição energética global também é vista como oportunidade. Embora o petróleo mantenha importância em setores como petroquímica e aviação, a tendência é que sua centralidade na matriz energética mundial diminua. O especialista concluiu que o petróleo pode ser motor de crescimento, mas não será suficiente sozinho; ele deve ser um instrumento de transformação estrutural da economia.

