Estruturas com dezenas de antenas da Starlink em Tabatinga, Amazonas, expuseram um modelo informal de revenda de internet via satélite em regiões remotas do país. O sistema concentra conexões individuais da empresa e as redistribui a moradores onde a fibra óptica não chega, segundo relatos de um aposentado.
As chamadas “fazendas de Starlink” reúnem múltiplos dispositivos para captar e direcionar o sinal de satélite a um provedor local. Esse modelo ajuda a explicar a liderança da Starlink no mercado de banda larga fixa em municípios rurais, onde a infraestrutura terrestre é escassa. Dados da Anatel indicam que a empresa concentra 12,8% dos acessos em cidades com mais de 75% da população fora da área urbana.
A prática, contudo, é irregular. Revender o sinal captado viola a política da Starlink, que restringe o uso a domicílios ou empresas individuais. Além disso, a Anatel classifica o fornecimento de capacidade de tráfego sem autorização como exploração clandestina de serviço de telecomunicações, exigindo que o responsável seja um prestador de SCM.
Um aposentado, que registrou o caso, explicou que o sistema funciona como um “funil”, direcionando a capacidade captada. Os moradores da região dependem da Starlink ou de fibra óptica vinda do Peru, pois o serviço de rádio é considerado instável devido ao clima pesado da área.

