Os Estados Unidos iniciaram duas frentes de questionamentos comerciais ao Brasil em 2026: uma investigação sobre trabalho forçado, anunciada em março pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), e outra baseada na Seção 301, concluída em junho. Embora ambas possam resultar em tarifas, os focos e objetivos dos processos são diferentes.
A apuração sobre trabalho forçado visa identificar violações trabalhistas em cadeias produtivas que abastecem o mercado internacional. Segundo o governo americano, o objetivo é verificar se países oferecem vantagens competitivas por meio de mão de obra em condições abusivas. No caso brasileiro, o agronegócio é o principal setor sob atenção nesse escrutínio.
Em contraste, a Seção 301, instrumento da Lei de Comércio de 1974, não se restringe a questões trabalhistas. Ela permite ao governo americano investigar práticas consideradas injustas ou prejudiciais aos interesses econômicos dos EUA, abrangendo temas como comércio digital, propriedade intelectual e políticas ambientais.
A diferença central reside no objeto de análise: enquanto a investigação de trabalho forçado foca em como os produtos são produzidos e em custos de mão de obra, a Seção 301 avalia as regras e políticas que regulam o funcionamento dos mercados. Ambas as iniciativas demonstram o aumento da pressão comercial dos EUA sobre parceiros econômicos.


