Centenas de comerciantes no Rio de Janeiro vivem sob controle do tráfico e das milícias, que impõem fornecedores e taxas de venda de produtos em comunidades. O esquema de monopólio ilegal afeta desde padarias até mercados, forçando os estabelecimentos a comprar de empresas determinadas pelos grupos criminosos.
O controle criminoso abrange itens de consumo básico, como farinha, ovos, alho, cebola, carvão, água e gás. Comerciantes relatam que são obrigados a adquirir mercadorias de empresas específicas, sob pena de ameaças. Um entrevistado declarou: “Tem que comprar, sem escolha”. Além da imposição de fornecedores, os estabelecimentos são forçados a pagar taxas, o que leva alguns a trabalhar “no negativo”.
A prática de monopólio resulta em aumento de preços para o consumidor. Em certas áreas, o valor do frango assado subiu de R$ 10 para R$ 40 após a entrada dos grupos criminosos no mercado. A investigação identificou empresas, como a Evolução e a Fênix, associadas a organizações criminosas. A Polícia Civil cumpriu 14 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a essas empresas, encontrando produtos fora da validade.
As autoridades apontam que o controle da venda gera uma fonte de renda para as facções e milícias, que utiliza os recursos para o chamado caixa de guerra. Quem desobedece às determinações pode sofrer ameaças. Um caso relatado envolveu a morte de um comerciante em março do ano passado após ele se recusar a comprar farinha de uma distribuidora ligada ao esquema.


