Agricultores do Movimento dos Trabalhos Rurais Sem Terra (MST) e ex-autônomos encontram no empreendedorismo rural uma fonte de renda e dignidade no Distrito Federal. Em assentamentos como Canaã, as famílias transformam terras antes usadas em monocultura em áreas de alta absorção, impulsionadas por projetos agroflorestais.
A transformação ocorreu em 2010, quando um homem de 21 anos trocou o trabalho de motoboy pela produção agrícola, recebendo lotes em Canaã, em Brazlândia (DF). Quatorze anos depois, em 2025, o assentamento foi regularizado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/DF), com a entrega dos Contratos de Concessão de Uso (CCUs). Segundo o agricultor, essa conquista simboliza dignidade, pois hoje possui casa e cultivos, além de apoio comunitário.
A área do assentamento está na Bacia do Descoberto, responsável por abastecer mais da metade da população do Distrito Federal. Anteriormente, a região era usada para monocultura de eucalipto, o que causava escassez hídrica e perda da flora nativa. Os assentados afirmam que, por meio de projetos de agrofloresta, conseguiram retirar a maioria dos eucaliptos e tornar o solo uma área de alta absorção.
O empreendedorismo se consolida nas feiras locais, onde agricultores vendem produtos orgânicos, hortaliças e frutas. Outros casos mostram a mudança de vida: uma agricultora, ex-autônoma, alcançou renda fixa ao produzir processados derivados do leite após receber cursos da comunidade. Um casal fundou a CSA Flor de Lótus em 2017, e hoje a comunidade atende mais de 100 co-agricultores.
O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) explica que o desenvolvimento de capacidades empreendedoras permite que a propriedade rural deixe de ser apenas um local de cultivo e passe a funcionar como um negócio estruturado e sustentável.

