A guerra no Oriente Médio e o encarecimento do combustível de aviação reduziram a lucratividade do setor aéreo global pela metade em 2026. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) divulgou o relatório financeiro no Rio de Janeiro, projetando que o lucro líquido combinado fechará em US$ 23 bilhões.
A projeção da IATA, que representa cerca de 320 companhias aéreas, indica que a margem líquida do setor encolheu de 4,2% para 2,0%. Antes do conflito, o setor projetava US$ 41 bilhões de lucro para 2026. O lucro líquido por passageiro deve cair para US$ 4,50, segundo o diretor-geral da IATA, Willie Walsh.
O principal fator de pressão são os custos operacionais, impulsionados pelo combustível. O preço do querosene de aviação deve atingir média de US$ 152 por barril em 2026, um aumento de quase 70% sobre os US$ 90 de 2025. Com isso, os gastos com combustível saltam de US$ 252 bilhões em 2025 para US$ 350 bilhões em 2026, elevando a participação do querosene nos custos totais para 31,4%.
As receitas totais do setor devem atingir US$ 1,165 trilhão em 2026, um crescimento de 9,4% sobre 2025. Contudo, as despesas operacionais crescem mais rápido, chegando a US$ 1,117 trilhão. A região do Oriente Médio registra o pior desempenho, com prejuízo líquido projetado de US$ 4,3 bilhões em 2026, revertendo o lucro de US$ 7,2 bilhões do ano anterior.
As companhias europeias devem registrar lucro de US$ 9,6 bilhões, queda de 26% sobre os US$ 13 bilhões de 2025, devido à dependência de importações do Golfo Pérsico. Já a América do Norte deve fechar o ano com lucro de US$ 9,4 bilhões, embora tenha abandonado grande parte da prática de hedge de combustível.

