Uma jovem, filha de ex-namorada de um ex-vereador, relatou em depoimento durante o julgamento agressões graves sofridas aos cinco anos de idade. Ela descreveu que o homem a afogava em uma piscina até ela tocar o chão, um relato que ajudou a sustentar a condenação do ex-vereador a 43 anos e nove meses de prisão por homicídio, tortura e coação.
A jovem descreveu episódios ocorridos em passeios com o ex-vereador, afirmando que ele a agredia com socos na cabeça e apertava seu braço. Em um trecho notório, ela relatou: “Tinha uma piscina. Ele ficava me afundando até eu encostar no chão. Me soltava, eu respirava, e ele me afogava de novo com o pé dele me empurrando. Até o chão, várias vezes”. As agressões vinham acompanhadas de ameaças para que ela não contasse nada à mãe.
A mãe da jovem também depôs e disse que só descobriu os episódios de violência cerca de um ano após o fim do relacionamento. Ela relatou que a filha começou a chorar ao assistir a um programa sobre violência infantil, mencionando que o ex-companheiro batia na cabeça e torcia seu braço. Após a condenação, a mãe afirmou sentir alívio, pois a sentença reconheceu relatos contestados pela defesa.
O Conselho de Sentença acolheu a tese do Ministério Público, que apontou que o ex-vereador submeteu o menino a agressões sucessivas que levaram à morte em março de 2021. A juíza Elizabeth Machado Louro declarou na sentença que o ex-vereador demonstrou uma “personalidade insidiosa” e empregou extrema violência contra a criança. A defesa do acusado anunciou recurso contra a decisão.


