O mercado financeiro revisou fortemente as projeções de inflação para 2026, com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subindo para 5,11%. O aumento da expectativa, divulgado pelo Banco Central, decorre da combinação de conflitos geopolíticos, valorização do petróleo e expansão dos gastos públicos.
A disparada nas projeções ocorreu em paralelo ao encarecimento do petróleo no mercado internacional. Esse aumento eleva os riscos para combustíveis, fertilizantes e alimentos, ao mesmo tempo que gera dúvidas sobre a continuidade da redução da taxa Selic, que se mantém em 14,5% ao ano. O risco de um super El Niño também preocupa, pois secas e chuvas intensas podem prejudicar safras agrícolas, com efeitos previstos para novembro de 2026 a janeiro de 2027.
Economistas apontam fatores internos e externos para a pressão. Rafaela Vitoria, economista-chefe do banco Inter, disse que a expansão dos gastos públicos tem papel central no movimento, elevando sua projeção para 5,1%. Ela afirmou que os estímulos fiscais pesam mais que o choque de oferta provocado pelo petróleo.
Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, atribuiu a persistência inflacionária à força do mercado de trabalho e ao avanço dos preços de serviços. Ele comentou que o conflito no Oriente Médio adiciona um risco extra devido à possível alta nos preços de combustíveis e alimentos. O mercado, em geral, passou a projetar uma Selic de 13,25% ao final de 2026.


