A exposição a casos de extrema crueldade contra animais provoca um sofrimento emocional que ultrapassa a indignação, afetando a saúde mental de milhares de pessoas. Segundo o psicólogo Renato Quinto, esse fenômeno é conhecido como “trauma vicário”.
O especialista explica que o cérebro reage à ameaça como se fosse própria, e a exposição constante a cenas de violência pode gerar ansiedade, insônia e sensação de impotência. Para Quinto, tais eventos também causam a “quebra da crença em um mundo justo”, gerando insegurança na população.
Outro ponto levantado é o efeito da impunidade. Quando crimes violentos não recebem resposta eficaz da Justiça, surge um “segundo trauma”. Esse segundo trauma impede o fechamento emocional do caso e pode gerar revolta permanente e descrença nas instituições.
Renato Quinto alerta ainda para o trauma cultural, onde a dor observada é absorvida coletivamente. Além disso, ele aponta que a ampla divulgação de atos de violência extrema pode estimular indivíduos com traços antissociais, aumentando o risco de novos episódios de crueldade.

