O rio Shanay-timpishika, no Peru, registra temperaturas que ultrapassam 90ºC, um fenômeno geotérmico que representa risco severo para seres humanos e animais. Pesquisadores afirmam que falhas geológicas, e não a incidência solar, são responsáveis pelo aquecimento extremo em trechos da Amazônia.
O geocientista peruano Andrés Ruzo registrou temperaturas próximas ao ponto de ebulição em trechos do rio. Em entrevistas a veículos de comunicação, Ruzo alertou que o contato direto com a água pode provocar queimaduras graves em poucos segundos devido ao calor extremo. O fenômeno também afeta a fauna, pois animais que caem nas águas aquecidas têm poucas chances de sobrevivência.
Um monitoramento realizado por equipes dos Estados Unidos e do Peru ao longo de um ano instalou 13 sensores. Os dados revelaram que, enquanto áreas mais amenas registraram média de 24°C, regiões sob influência geotérmica chegaram a quase 45°C. Esse aquecimento impacta o microclima e a vegetação, que apresenta menor diversidade em áreas mais quentes.
Pesquisadores apontam que o aumento da temperatura compromete processos vitais das plantas, como a fotossíntese. A pesquisadora Alyssa Kullberg observou que a vegetação próxima ao rio apresentava aspecto mais seco, apesar da alta umidade amazônica. O fenômeno é estudado como um laboratório natural para entender os impactos do aquecimento global em florestas tropicais.

