O mercado financeiro passou a esperar que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) supere o teto da meta por 11 meses seguidos, de maio deste ano a março de 2027. As medianas do Sistema Expectativas de Mercado indicam que o índice deve atingir 4,62% no acumulado de 12 meses até maio.
A projeção de inflação elevada ocorre pouco antes da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para 17 de junho. Segundo as medianas, o IPCA deve permanecer acima de 4,50% até abril de 2027, quando cairia para 4,28%. Além disso, o Banco Central perderia a meta de inflação em outubro, quando o índice acumulado em 12 meses completaria seis meses acima do limite superior de tolerância.
A deterioração das expectativas segue a aceleração da inflação corrente, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre de 2026, o fortalecimento do dólar e a continuidade de conflitos no Oriente Médio. Apesar desse quadro, as estimativas intermediárias apontam para um novo corte de 0,25 ponto percentual nos juros, levando a taxa básica a 14,25% na próxima semana.
Em decisão anterior, o colegiado do Banco Central afirmou que os próximos passos do processo de calibração da taxa básica de juros incorporarão novas informações sobre a profundidade dos conflitos no Oriente Médio e seus efeitos sobre o nível de preços ao longo do tempo.

