A possibilidade de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros gera incerteza no mercado financeiro. O economista Rodolfo Tobler, do Movimento Brasil Competitivo, afirmou que o aumento do risco comercial eleva o prêmio exigido por investidores, pressionando indicadores como dólar, inflação e juros.
O principal impacto, segundo Tobler, não reside nas tarifas, mas na instabilidade das relações comerciais. O risco percebido reduz o apetite por novos investimentos e dificulta a atração de capital estrangeiro. O debate se intensificou após o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sugerir sobretaxas de 25% e uma segunda proposta com acréscimo de 12,5% sobre certos produtos brasileiros.
A indústria de transformação brasileira é apontada como setor mais vulnerável aos efeitos diretos das tarifas. Produtos como café, suco de laranja, carne, celulose, derivados de petróleo e componentes aeronáuticos foram poupados das propostas iniciais por sua relevância estratégica para os EUA. Contudo, o economista alerta que os impactos indiretos, gerados pelo ruído comercial, afetam a competitividade de maneira geral.
O cenário externo se soma a fragilidades domésticas, como a dificuldade de ajuste fiscal, conforme apontado pelo Boletim Focus. Tobler explica que o aumento do prêmio de risco tende a valorizar o dólar, o que, se mantido, é repassado à inflação, forçando o Banco Central a ser mais cauteloso na redução dos juros.

